Testes de equipas oficiais em Portugal (1980)

Fiat

Para a Fiat e Pirelli, o troço do Buçaco voltou a ser palco de experiências, tendo em vista mais um Rali de Portugal. Todos os que têm acompanhado de perto o nosso jornal devem recordar-se que já há dois anos a equipa italiana esteve naquela classificativa também em ensaios, na altura com Sandro Munari, que faria no nosso país a sua estreia ao volante do 131 Abarth.

Agora, a Fiat voltou e se as experiências não disseram só respeito aos pneus, a presença de Giorgio Pianta e de Ninni Russo foi aproveitada pelos técnicos da Pirelli para novos ensaios, desta feita em terra, com o tipo de pneu que tanto sucesso alcançou em Monte Carlo.

Quanto a Pianta e Russo, estiveram praticamente uma semana entre nós, testando primeiramente um novo tipo de molas e só na fase derradeira se preocuparam com os pneus.

Foi o próprio Ninni Russo que nos disse:

"Estes ensaios não estavam inicialmente previstos. Contudo e dado que a Abarth tinha necessidade de provar um novo tipo de mola, decidimos rapidamente deslocar-nos a Portugal e aqui verificar da validade da nova solução"

Desta forma, foi deslocado um Fiat 131 Abarth (por sinal a mesma carroçaria de há dois anos - TO 35976 P - mas equipado com um motor "célebre", pois era o vencedor de Monte Carlo, já que foi tirado do carro de Walter Rohrl) e um furgão-oficina, que transportou outro motor, precisamente o que equipara o carro de Waldegaard em Monte Carlo. Com ele viajaram igualmente três mecânicos do "Reparto Esperienza Abarth": Maggi, Esposito e Herivel.

A equipa instalou-se em Aveiro, no representante local da Fiat (que é sogro de Ninni Russo) e dali partiram para sucessivos testes na Freita, Ladário e depois Buçaco. Os primeiros tiveram como finalidade observar o comportamento do novo tipo de molas e os últimos deram ensejo ao eng. Giuliano Franco, da Pirelli, de estudar atentamente a resposta dos novos pneus.

(...)

Depois de uma paragem para almoço, o troço do Buçaco voltou a animar-se com o ruído do 131 Abarth e nessa altura já bastante público se encontrava a assistir às passagens de Pianta e de Russo, atraído possivelmente pela presença dos carros no Luso.

Mas a grande novidade da tarde seria a chegada de um táxi Marina, com passageiros bem conhecidos e um motorista de luxo: este era Joaquim Nicodemos (não há dúvida que o baptismo de "Paizinho" pegou...) e aqueles eram Giovanni Salvi, Jorge Cirne e Carlos Sousa. A surpresa de Ninni Russo foi total, pois apesar de esperar por Salvi, nunca esperou que ele chegasse de táxi, por sinal propriedade de Nicodemos.

Foi então a vez do nosso piloto mostrar as suas habilidades e ter direito a uma voltinha ao volante de um Fiat 131 Abarth.

Quando Salvi voltou, Pianta perguntou a Ninni em tom divertido: "Então já lhe vendes-te o carro?" Seja como for, a verdade é que Salvi se mostrou bastante impressionado com a máquina, o que nada nos espantou...

Mas a equipa italiana estava ali para trabalhar e em breve continuaram as sessões de ensaio, com algumas paragens apenas para o outro técnico da Pirelli (Bruno Destro) desenhar ranhuras laterais cada vez mais profundas, para aumentar a aderência dos flancos do pneu.

A tarde caía e a hora de regressar a Lisboa aproximava-se. Pianta e Russo ficaram, ainda que por pouco mais tempo, nos seus ensaios. Assim se prepara um rali e, quem sabe, uma possível vitória.

Fonte : Jornal "Autosport" de 14 de Fevereiro de 1980

Texto : Fernando Petronilho

Foto : Photo Xtrod

Para além da Fiat, também a Triumph e a Mercedes estiveram em Portugal a efectuar testes para preparar o nosso rali. Para descrever o que se passou aqui estão dois excertos da revista Automundo de 21 de Fevereiro de 1980 :

Triumph

Pois Tony Pond - um piloto espectacular em terra - esteve cá a fazer testes de pneus com técnicos da Dunlop, primeiramente na zona de Sintra e, depois, na zona centro (Buçaco e Arganil). Também as suspensões do TR7 V8 foram alvo de aturados estudos, agora avalizados em Inglaterra.

Mercedes

A marca alemã, (...), esteve cá... e já foi embora. Não foram os pilotos quem cá andou, durante a semana passada. Mas sim, o director desportivo Erich Waxenberger, com 2 mecânicos e técnicos da Dunlop.

Os pneus foram testados, principalmente, no norte do país e os técnicos só agora, acabados os ensaios, vão desenhar o tipo de pneu apropriado para o enorme e pesado carro, cuja estreia entre nós constitui, talvez, a maior atracção do rali.

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Para além destas três marcas, correram ainda em Portugal a Ford (através de David Sutton), Toyota, Opel, Datsun, Talbot e FSO.

Nas publicações da altura, Autosport, Automundo e Motor, nada vinha noticiado sobre testes efectuados por estas marcas em território português para preparar o Rali de Portugal 1980, nem para desenvolver nenhum carro.

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