O troço de Arganil, ou melhor determinadas zonas dos seus 56,5 quilómetros, foram escolhidas pelos homens da Peugeot Talbot Sport para no passado fim de semana procederem a testes de suspensões e pneus com vista ao próximo Rali de Portugal.
Presente como chefe da “expedição técnica”, Jean Claude Vaucard, o responsável das áreas da estrutura, chassis, travões, e transmissões do Peugeot 205 T16, ao qual vieram a juntar-se os técnicos da Michelin liderados por Jean Paul Fournier e Michel Droitecourt do departamento de novos produtos da marca de pneus francesa.
Inicialmente deveria ser Timo Salonen a realizar os ensaios de suspensões e pneus enquanto que Ari Vatanen continuaria o reconhecimento do percurso da prova.
No entanto, um problema no 205 de Salonen que não lhe permitia render ao máximo fez com que Vatanen fosse o eleito para desenvolver a série de testes. Isso não agradou muito ao antigo campeão do mundo que não vem ao Rali de Portugal desde 1981, o ano em que conquistou o título, e que pretendia reconhecer em pormenor e atempadamente os troços, até porque da última vez que cá esteve alinhou num Ford Escort RS1800, carro de caracteristicas bem diferentes das do 205 T16.
Apesar de na altura faltarem dez dias para o inicio da prova, os dois dias “perdidos” em testes preocupavam Vatanen que até domingo só reconhecera todo o asfalto menos Sintra e a tonda de Arganil-Candosa-Lousã. “Causa-me um certo transtorno até porque não era eu e sim o Timo quem deveria fazer os testes mas o carro dele não está bom”, explicou-nos o vencedor das duas provas do mundial deste ano. “Ok, ainda faltam 10 dias para a prova, mas tinha outro programa de treinos previsto e agora tenho de tirar dois dias. Para mais não são dez dias os que faltam pois não é bom terminar os reconhecimentos mesmo em cima da prova. Para mim os treinos terminam no domingo para ter dois dias de relax para me poder concentrar, sem a tensão de ainda andar a treinar”.
O principio da tarde de sábado foi dedicado à escolha de melhores soluções para a suspensão. O percurso escolhido para estes ensaios foi uma parte do troço de Arganil, já na fase final mas antes da descida para a povoação de Lomba.
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Tanto Ari Vatanen como Timo Salonen, depois de algumas passagens por Arganil, queixaram-se bastante do estado do troço principalmente após a saída da primeira zona de asfalto.
É certo que a Câmara de Arganil tem tido todo o cuidado de, tanto quanto possivel, melhorar o estado da famosa classificativa da sua região tapando alguns buracos, mas o número de passagens que os potentes carros das equipas oficiais fazem mais as da maior parte dos outros concorrentes, deixam-nos de novo a descoberto, enquanto que pela sua parte as chuvas deixaram muitas pedras pontiagudas à mostra.
“Trago más noticias de Arganil”, dizia-nos Ari Vatanen ao cabo do primeiro dia de treinos na zona. “Muito duro, mesmo muito duro, este troço. Não é só a sua extensão, pois já sabemos que é um troço garnde, mas na maior parte do percurso há muitas pedras soltas ou à mostra pelo que andar um pouco de lado pode querer dizer, de imediato, um furo. Os troços do Rali de Portugal não costumam ser tão duros como por exemplo os da Grécia mas este ano, pelo que tenho visto, há zonas quase tão dificeis como algumas da Acrópole”.
No dia seguinte, nos testes de pneus, Vatanen teria oportunidade de comprovar a facilidade co que se pode furar mas logo no sábado, Salonen já dera razão às previsões do seu colega – na última passagem por Arganil o seu 205 ficou com uma roda furada sensivelmente a meio do troço. Já era noite e a equipa decidiu continuar lentamente, percorrendo cerca de 30 quiómetros sobre a jante que por sinal até acabaria por não chegar muito partida, apresentando ainda alguns vestigios de ter tido um pneu montando... É preciso descontracção para fazer metade de Arganil com um furo esperando que seja o mecânico colocado no final quem mude a roda!
Este último é que já estava um pouco aflito com o atraso do piloto pois não o conseguia contacta pela rádio. Infelizmente essa impossibilidade de utilizar o rádio foi causada por mais um condenável acto dos amigos do alheio que no dia anterior roubaram a antena de ums dos 205 T16. A que estava montada na carrinha de assistência de Salonen passou então para o carro de prova e nem mesmo a ajuda dos bombeiros de Arganil e de outros entusiastas que tentaram improvisar uma antena, o pobre mecânico conseguiu falar com o finlandês. Só o fez, quando este chegou, tarde, ao local combinado.
Tanto Vatanen como Salonen utilizam nos reconhecimentos os carros com que correram no passao Rali de Monte Carlo mas o deste último não estava a render máximo (tivemos oportunidade de o comprovar depois de uma voltinha a bordo...) devido a problemas de alimentação.
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Um espectáculo bem diferente da calma habitual surpreendeu os fiéis que na manhã de domingo se deslocaram à capela da Quinta do Mosteiro para o serviço religioso. A Peugeot e a Michelin tinham ocupado o largo da igreja com o seu arsenal mas, a pedido do pároco, não deixaram de respeitar um devido silêncio durante a hora da missa... Depois os carros chegaram e o trabalho recomeçou.
A zona escolhida por Vatanen para os teste foi o inicio da subida do Salgueiro logo depois da igreja, a algumas centenas de metros do final da estrada asfaltada que vem de Folques. Foi portanto um percurso sinuoso com piso variável entre terra lisa e zonas com regos ou com pedra solta, que o 205 T16 vencedor de Monte Carlo evoluiu em condições idênticas às de prova pois os 3,5 quilómetros do percurso foram devidamente fechados por carros de assistência de Peugeot que, através do rádio, controlavam a situação.
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Chegara a hora do almoço. À tarde um Vatanen preocupado, não só com a resistência dos pneus – pormenor que faz confiança nos homens da Michelin para que resolvam – mas também com o atraso gerado no seu programa de reconhecimentos, continuou os ensaios e, na segunda feira de manhã, enquanto ele com Terry Harryman partiam para o norte, os homens da Michelin descolavam para França com uma mão-cheia de dados sobre o comportamento dos seus pneus nas duas estradas portuguesas. As soluções finais, essas só ficarão confirmadas após o grande desafio que é sempre o troço de Arganil em cada Rali de Portugal. Mas com a Peugeot e com a Audi quem é que se arrisca a dizer que a Michelin não vai ganhar???
Fonte : Jornal "Autosport" de 27 de Fevereiro de 1985
Era um Lancia Rally 037, um muleto de treinos, pintado de vermlho, que já vinha do Marão com Giorgio Pianta e voava agora por Arganil com Markku Alen. “Macchina rossa (vermelha) comme il muleto de Mille Lacchi”, disse Markku ao tomar conhecimento com o carro, estacionado à porta da Pousada de Póvoa das Quartas, onde a recepcionista se preparava, a preceito, para receber tão ilustre visitante.
Markku, Kiki (Ilkka Kivimaki, o seu navegador), Franco Listro (relações com a imprensa da Lancia Itália), e Vicente Rosa (idem da Fiat Portuguesa) chegaram já em cima da hora do jantar, depois de um engano de percurso que obrigou Markku a “recuperar” o tempo perdido e pelo menos 2 passageiros a passar o resto do tempo... a recuperar a respiração!
Umas bebidas, uma visita aos quartos, o jantar (que se faz tarde) e o repasto interrompido com os cumprimentos da ordem ao Secretário de Estado dos Desportos, que vinha de Renault 9 GTC (!) e tinha lugar marcado no banco da direita do Lancia para a manhã do dia seguinte. À mesa de Alen, também Fiorenzo Brivio, técnico da Pirello, e seus rapazes.
Por ali, inquieto com o adiantado da hora, Carlos Barata (e seus rapazes) que tinha mobilizado 25 equipas de jovens para, numa noite gelada de 5ª para 6ª feira, fecharem os cruzamentos de Arganil e permitirem que Alen fizesse os 56 quilómetros do troço... a fundo. Na serra, invadida por ondas hertzianas que faziam comunicar os diferentes postos de observação, nasceram as fogueiras à volta das quais se juntaram grupos de curiosos, que isto de ver passa o Alen 2 vezes não é prato que se perca.
E não era. Depressa, muito depressa, os potentes faróis abrindo raios de luz na noite enluarada, o Lancia devorava os quilómetros, por cima da terra, do asfalto ou do gelo, na lama ou nos enormes trilhos que os madeireiros deixam como rasto da sua passagem diária.
Na subida do Salgueiro, um furo na roda traseira direita, uma pequena amolgadela do mesmo lado, e a primeira passagem a ficar marcada por este pequeno incidente. “Quanto tempo Arganil in Rally Portogallo?”, pergunta Alen à chegada à pequena praça central onde a Lancia tinha montado a oficina., “Cerca de 38 minutos” (mais exactamente 38.31 e 38.02 para Alen na 1ª e 2ª passagem).
O cronómetro de Kiki marcava 42.05, com os últimos 10 quilómetros em cima de uma jante... traseira! Na 2ª passagem, um novo tipo de pneu não deu resultados, que o termómetro marcava, nalguns locais, menos 3, e os testes ficavam por ali.
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Fonte : Revista "Automundo" de 23 de Janeiro de 1985
Autor do Texto : Pedro MarianoAutor da Foto : Jorge Cunha
Era precisamente John Wheeler quem comandava a expedição da Ford a Portugal até à chegada do responsável do sector de ralis da marca, Peter Ashcroft.
Essa expedição era composta para além do projectista do RS200, por um engenheiro da Ford Motorsport – Andy Thorburn -, por Malcom Wilson e mais oito mecânicos do departamento de competição da marca.
Presente também um técnico da RED, preparador britânico que faz correr um Sierra 4x4 Turbo, e cinco homens da Pirelli liderados por Brivio, um jovem italiano que já em 1982 estivera nos testes do RS1700 Turbo e que agora veio dar o seu apoio aos dois responsáveis ingleses pela ligação Ford-Pirelli.
Em termos de material e para além do enorme e bonito camião RED que transportou os carros de competição, e do da Pirelli, a Ford fez deslocar dois RS200 – chassis números 1 e 5 com as matriculas B 888 CHK e B55 CHK, respectivamente -, mais uma Ford Transit e uma Granada Station de assistência. Tudo isto para além de inúmeros caixotes de peças e órgãos mecânicos para substituir e ensaiar nos dois carros.
O programa de testes previstos para o nosso país, iniciado na noite da passada quinta-feira e prolongando-se pelo menos até ao final desta semana, divide-se em três partes: uma primeira de afinação do carro, uma outra para ensaios de pneus e por fim os primeiros tempos de comparação face à concorrência.
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Os primeiros quilómetros do troço de São Lourenço da Montaria foram o local escolhido para a primeira fase dos testes que, logicamente, decorreram com a bem conhecida precisão britânica: O carro rodava a partir de meio da tarde até à noite e, na manhã seguinte, desde muito cedo era de novo posto como novo para a nova série de ensaios. Tudo isto com uns “cházinhos” à hora certa...
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Fonte : Jornal “Autosport” de 21 de Maio de 1985.
Autor do texto e fotos : Mário Guerreiro
Muito mais foi publicado pelo Autosport no que diz respeito aos testes da Ford, o problema é que a grande maioria das linhas são entrevistas feitas ao responsável e/ou engenheiro do marca sobre o novo bólide da marca. Tentar transcrever só parte da conversa não era o ideal, mas também transcreve-la toda dava “pano para mangas”, dado que a reportagem destes testes tinha quatro páginas...
AUDI
Quanto à Audi, a equipa esteve em testes em Orbacém dias antes dos testes que a Peugeot fez em Arganil. Nenhum jornal fez uma reportagem dos testes, apenas uma menção aos mesmos na reportagem dos testes da Peugeot em Arganil do jornal Autosport, em que se dizia que a equipa de técnicos da Michelin tinha vindo de Orbacém onde tinha realizado o mesmo tipo de operação com a Audi que iria realizar em Arganil com a Peugeot.
Por fim, quase todas as equipas que vieram ao Rali de Portugal com a sua estrutura oficial fizeram testes no nosso país, excepção feita à Volkswagen que não realizou qualquer teste. Os testes da Lancia tinham como objectivo participar na nossa prova, mas umas semanas antes do rali se realizar, a inscrição foi retirada porque o nosso rali era um dos ralis do mundial em que os 037 já não eram competitivos, assim consideraram a admnistração da Lancia. A Ford veio cá, tal como em 1982, para desenvolver o novo carro.
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